segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pais e Filhos IV

IV
Sentiu uma mão em sua cabeça, de repente, queria abrir os olhos mas não conseguia. Tirou de dentro de si uma que a fez ver a luz de novo.
Percebeu que a mão era de sua mãe. E ela, estava deitada em sua cama, abraçada com o travesseiro.
Assustada, percorreu o olhos por todo o quarto, e, lá estavam a caneta e o papel, e janela aberta. Pelo corpo, nenhum arranhão sequer.
A mãe percebendo os olhares agoniados da menina, a abraçou o mais forte que pôde. Aninhou-se entre os braços da mãe. Nenhum único músculo de seu corpo estava imóvel, ela tremia da cabeça aos pés. "Foi só um susto. Eu estou aqui", disse a mãe.
Tudo parecia muito confuso, mas ela não queria pensar em nada naquele momento, porque nada poderia ser mais importante do que aquilo.
O silêncio tomou conta do quarto, e tudo que ela podia ouvir era o batimento acelerado do coração da mãe. A paz tomou conta dela, mais uma vez.
"Eu li o que você estava escrevendo", disse a mãe. A menina se afastou num pulo. "O que você estava pensando?!", continuou - com uma lágrima implorando para abandonar o olho e escorrer pelo rosto levando de dentro dela todo o seu desespero.
A menina não conseguiu dizer nada, e nem precisava. Os seus olhos vermelhos de choro podiam se expressar melhor que ela.
Então, mais uma vez, a mãe a abraçou forte contra o peito, como se tivesse em seus braços algo que ela não queria que jamais levassem dela, e de fato era verdade.
Passaram longos minutos ali, e naquele abraço que se bastava, elas não trocaram sequer uma palavra. O silêncio gritava a verdade. Era fato que a menina estava sofrendo tanto, que a dor já havia a sufocado. E a mãe sentia que, no fundo, tinha um parcela de culpa naquilo tudo.
Refletiu sobre todas as suas atitudes, todas as brigas, todos os abraços que a filha ficou esperando receber e ela não deu. Aquela palavra carinhosa que nunca foi dita, os beijos de boa-noite nunca dados, o reconhecimento sempre omitido, as cobranças excessivas, a amiga que ela nunca foi. Tudo isso veio à tona e transbordou em lágrimas que ela não pôde conter. A menina voltou seu rosto para a mãe, e olhou bem no fundo de seus olhos. A mãe conseguiu ver nela aquela garotinha de 16 anos atrás, que ela segurava em seu colo, e sentia como se pudesse tê-la pra sempre em seus braços. Achava que poderia protegê-la de tudo, e - que ironia - hoje, a maior ameaça é justamente ela. Tinha em seu colo agora, uma pequena estranha, que ainda assim, ela amava e não queria deixar partir.
"Eu te amo, minha pequena", disse. Era tudo o que a menina precisava ouvir.
Último capítulo amanhã (ou depois) ;D
#Soundtrack: Love Stoned - Justin Timberlake.
A música não é das melhooores, já o Justin... ;9
Beijocomenta :*

5 comentários:

Fehh disse...

ahh to adorando :)

Anônimo disse...

Porra que blog show! Adorei, estou seguindo, se quiser podemos fazer parcerias.
http://momentochocolate.blogspot.com/
http://twitter.com/momentchocolate

Feufa Maciel disse...

que lindo. ;)

boa semana pra ti! :*
passa lá no meu!

morethanwords3 disse...

Tuani, meus Parabéns pelo o texto comovente que escreveu. Você usou de belas palavras e, com elas, conseguiu transmitir uma linda mensagem, mesmo através de uma história um pouco triste como essa que narrou. Adorei a forma como escreve e coloca seus pensamentos.
Quanto ao post, essa, as vezes, inevitavel ausencia que nós, filhos, sentimos é que nos faz crescer, amadurecer e aprender um pouco mais sobre esse jogo insano que é a vida. Mas, felizmente, essa ausencia é passageira na maioria dos casos, pois mãe é mãe e nós sempre seremos os prediletos, o xodó!

Parabens mais uma vez!

Visite meu blog se possivel!

Beijosss!

Marcelo Orcioli disse...

AMEI O QUARTO CAPÍTULO
mas o melhor até agora foi o 3
e eu quero ver como essa história termina
tá de parabéns [9821082108210921]

te amo ;*
comenta lá no meu
se possível [2]
beijos

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