sexta-feira, 29 de maio de 2009

Pais e Filhos III

Bom, no primeiro post eu havia dito que seriam 3 capítulos, mas eu decidi estender um pouco mais hahahha. Esse aqui é o terceiro, mas amanhã (ou depois) tem mais ;)

"[...] o corpo amoleceu, o choro finalmente cessou e tudo parou."
III

Logo, abriu os olhos e se viu deitada na cama. O corpo leve, relaxado, e uma paz que há muito tempo não sentia. Olhou para o chão e já não estavam mais lá a caneta e o papel. A porta aberta e a janela, fechada.
Levantou-se e andou pela casa à procura de alguém. Tudo parecia tão diferente. A casa não estava igual, o ar era outro, o céu parecia mais próximo. Não encontrou ninguém, estava lá sozinha e a paz de outrora foi substituída por uma angústia repentina.
Tentava organizar os pensamentos, mas a sensação era estranha demais - algo sufocante, ela mal podia respirar. Procurou em todos os cômodos, e a cada porta aberta, a cada chamado sem resposta, ela sentia-se cada vez mais abandonada.
"Pai! Mãe!", ela gritava. O silêncio era a resposta.
Quis sair, mas estava trancada lá dentro. O único contato que tinha com o exterior eram as grandes janelas de vidro com lindas cortinas brancas - que ficavam ainda mais fascinantes quando o vento batia e as fazia flutuar num movimento que mais parecia uma dança.
Mas não naquela noite. As cortinas já não estavam mais tão brancas como costumavam ser, pareciam desbotadas, sem vida, sem movimento. Ela deslizou a mão pelos panos e sentiu um aperto no peito e como um pequeno animal indefeso e esquecido em sua jaula, sentou-se no chão abraçando os joelhos. A respiração ofegante e o coração batendo tão forte que ela tinha a sensação de que a qualquer hora ele deixaria seu corpo.
Passou horas e horas assim, mas nada aconteceu. Nenhum sinal de vida à sua volta, e num silêncio angustiante, ela chorou. Esperava expulsar de seu corpo aquele desespero. Não conseguiu.
Algo foi crescendo fortemente dentro dela: de repente os músculos ficaram tão tensos que ela quase sentia dor, os olhos fixos na janela começavam a ser inundados por mais uma enxurrada de lágrimas que estava por vir. As mãos trêmulas, as pernas bambas, a respiração cada vez mais acelerada, um misto de medo e desespero levou seu corpo de encontro à janela.
Pôde sentir o vidro estilhaçado penetrar seu corpo e cortá-lo quase que por inteiro. Num ato reflexo agarrou a cortina ao seu lado, que não resistiu e despencou junto com a menina.
Deitada no chão ela fazia uma força sobre-humana para tentar manter os olhos abertos. Ainda conseguiu olhar seu corpo coberto de sangue e cortes por todas as partes. Enlaçada na cortina - que ganhara uma cor escarlate - ela ainda tentou fazer algum esforço para levantar, em vão. Nada adiantaria. Então, ela se entregou.


E aí?
Comenta :D

Soundtrack: #Wonderwall - Cat Power (Oasis cover)
Baixei essa versão por acaso hahah
É bem legal, a Cat Power tem uma voz linda, super tranquila.. e eu além de fã incondicional dessa música, tenho uma queda brutal por versões acústicas. Recomendo ;*

Beijomeliga ;*

1 comentários:

Marcelo Orcioli disse...

Aaaaaah que LINDO
ela se suicidou, mas o texto
é tão bem escrito, que eu to gostando.

A parte das cortinas *-*
VOCÊ REALMENTE TEM TALENTO PRA ISSO
parabéns, só consigo dizer isso
HAHUEAHUEHAUAHUEA

te amo ;*
e o template novo? MAAAAAAAAARA

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